Já não te reconheço mais
Nem a mim também
E nem tampouco te projeto no tempo.
Viemos de onde?
Da rua abraçada pela metrópole tropical
Dos nossos primeiros dias,
Abarrotada de pessoas e suas coisas?
Ou foi das noites caladas no pé daquele serra,
Assistidas pelo nosso medo de bichos peçonhentos,
Quando nos aventuramos à solidão de “fazer américa”
Um pouco mais tarde?
Não sabíamos que estávamos juntos
Mesmo quando embalamos em dupla os frutos das nossas carnes.
Pelo menos eu jamais me imaginei sem você,
Por mais incrível que isso possa parecer.
Não nos vale mais a pergunta seguinte
Na primeira pessoa do plural.
Para onde eu vou, agora?
(é o que nos vale, pois deslocamos o pronome)
Para a velhice próxima e certa,
Mais, ou menos, satisfeitos, quem pode saber?
Nenhuma resposta importa mais.
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