quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Telefonema na Avenida Santo Amaro


Atendo o telefone aflito
Pois enxergo embassado o número
Que no visor tenta me avisar quem é.
(já não sou capaz de dispensar os óculos).

Depois de ouvir sua voz
Digo um “alô” agressivo
Pois não sei dizer outro que prenuncie
Melhor a ausência de vínculos que
É preciso hoje imprimir em nossa conversa.

Vínculos entre nós não cabem mais.
São indesejados, agora,
Inconvenientes e até perigosos.
Outros prevalecem.

Não sei dizer a você um “alô” sem nossos vínculos,
(que não podem mais existir)
Aqueles que antes viviam, ponta a ponta,
Plugados em mim e em você,
Hoje cadáveres que me enredam teimosamente,
Soltos de um lado,
Desconectados,
Senão mortos quase sem prévio aviso,
Órfãos de pai ou mãe.




Nenhum comentário:

Postar um comentário