A cada palavra gosto mais de mim
E também delas,
Apesar de infiéis:
Se entregam sem reservas a quem quer que as maneje,
Seguro da conquista,
Com o ritmo da graça e
A força da luxúria.
Tenho ciúme das minhas palavras
Pois não as posso reter.
Estão na minha boca e,
Promíscuas,
Na bocas de qualquer um.
São levianas pois não preferem,
Se deixam possuir por vários a cada instante.
Sou amante de palavras fáceis,
Que vivem nas madrugadas,
Encostadas nos postes da minha cidade,
Disponíveis em qualquer esquina.
Entro nelas e elas em mim
Desejo minhas palavras e elas também me desejam
Até que exaustas e satisfeitas
De mim marcadas, do meu tesão,
Durmam profundamente.
E eu também adormeço ao lado delas
Certos, eu e elas, de que amanhã nos amaremos mais
Ainda que eu encontre outras mais palavras
E elas infinitas outras mãos.
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